Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Na língua dos sentidos

No mundo da culinária, o lume brando é um conceito sábio. O aquecimento gradual e ponderado potencia o sabor, minimiza os riscos de esturrar as iguarias e de queimar a caçarola. Já no mundo das emoções, o lume brando é um sarilho. Elas precisam de ferver. De borbulhar. De fazer saltar a tampa nos locais mais insuspeitos. Precisam de excesso de vapor e de pimenta. Na língua dos sentidos. Pois a chama curta corre sérios riscos de se desvanecer. À mínima corrente de ar.

4 comentários:

PauloG disse...

habitualmente diz-se que:
"...se deve alimentar a chama..."
e também concordo que o calor nas emoções tem que ser constantemente forte...
nestes casos é fantástico que a língua queime...

solitaire disse...

Nada como o bom "lume" do Verão não aquece até pegar fogo...

Hyndra disse...

Bonito... e faz todo o sentido.

c. disse...

...na língua dos sentidos não há espaço para receitas ou manuais. apenas emoções salteadas ao improviso. tantas vezes deixadas ao vapor até ao ponto de pasta sem sabor.