Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Sou... (parte II)

Sou uma dor de cabeça. Um copo a transbordar tumultos. A personificação da angústia. Sou um parente próximo do caos. Uma fagulha de desespero. Um fragmento de cepticismo. Uma centelha à chuva. Engomo ilusões, dobro fantasias, vinco a realidade. Sou uma ideia solta perdida em nenhures. Uma definição presa algures. Uma qualquer longa pausa. Um movimento. Onde está o presente estou eu imóvel, estupefacto. Onde está o futuro estou eu vestido de ponto de interrogação. E no meu cérebro... descobri uma outra porta secreta minúscula.

9 comentários:

c. disse...

...e, acima de tudo, és. recusando o não ser nesta busca de portas por abrir (ainda que minúsculas).


(e um ponto de interrogação não é só por si sinal de movimento? não são as interrogações - mais que as respostas - a energia que nos move?)

**

PauloG disse...

... sempre gostei de pontos de interrogação assim como gosto de reticências...
... fica sempre algo pendente, não são estáticos, deixam adivinhar uma resposta, uma reacção...
... são quase que como a vida,uma expectativa constante de saber o que se segue... o que virá????
... somos tantas coisas e ao mesmo tempo não nos conhecemos por inteiro...
... temos, é bom ter, a capacidade de nos surpreendermos a nós próprios...

...

b.vilão disse...

Dear C.:

Não sei não ser. Não me está no quadro de referências.

PauloG:

... o mais curioso é quando nos interrogamos e ficamos reticentes perante a constatação de certezas nunca vistas... Até a natureza das próprias certezas gera interrogações.

Mag disse...

Belíssimo texto, recheado de palavras que brincam entre si. Gostei mesmo muito.

Scarlet disse...

ui essa escrita...

b.vilão disse...

Mag:

Obrigado pelas palavras simpáticas. Bem-vinda às palavras lacradas.

PauloG disse...

... e não é natural a insegurança perante "novas" certezas?
... e não é da natureza do homem questionar sempre, em busca de mais e mais conhecimento?
... é a forma de não ficarmos acomodados e amorfos... é sem duvida uma questão de Ser... de Existir...
Enfim... de VIVER...
:-D

b.vilão disse...

PauloG:

"Navegamos por águas longe e pelo nevoeiro. A bordo do nosso navio fantasma SOMOS O QUE SOMOS e ao nosso redor apenas o chapinhar das águas misteriosamente calmas de encontro ao casco nos impressiona e informa. Acreditamos que jamais o homem será escravo enquanto houver um só Poeta, isolado e ignorado que seja, a reclamar a si mesmo a decisão ou indecisão magníficas".
Já dizia o António Maria Lisboa. E sim. De acordo.

reginaldo disse...

Ola! é bom encontrar blog assim tão agradável, lindo . abraço...