Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Encontros

Encontros imediatos em cruzamentos públicos são complexos de gerir. Aliás, já dizia o filósofo e psicólogo norte-americano William James que “quando duas pessoas se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: cada pessoa como se vê a si mesma, cada pessoa como a outra a vê e cada pessoa como realmente é”. Daí a complexidade natural, agravada pelo clima do inesperado.

Mas quando ocorrem nas esquinas da imaginação convertem-se em tortura. Pura. Em pura tortura. Não se sabe o que fazer com esta visão e somos soprados para o campo da indecisão. E, uma vez mais, são as palavras de William James que nos entram pelos olhos, estancando-nos o fôlego e amortalhando-nos o coração: “Quando precisas de tomar uma decisão e não a tomas, estás a tomar a decisão de nada fazer. E não existe ser humano mais infeliz do que aquele em que a única coisa habitual é a indecisão”.

8 comentários:

Gingerbread Girl disse...

Então... decide-te. ;)

*

kel disse...

V.,

Sempre gostei muito da tua escrita. Transporta-me para outros mundos. Consola-me e "angustia-me" ao mesmo tempo.

Bjs

Raquel

aires disse...

"Aquele que se recusa a abraçar uma oportunidade única perde o prémio tão seguramente como se tivesse falhado."

PauloG disse...

... imediatamente me lembro das constantes indecisões...
... inesperadamente me encontro nas palavras de William James...
e... mais uma vez, a indecisão... de o (d)escrever aqui...
... é indubitavelmente pura tortura, como o descreves, que nos fecha no tal "labirinto existencial"... onde a imaginação, tantas vezes sinónimo de algo de bom, nos atormenta... tanto nos dá as soluções como nos leva a evitar a sua concretização...

b.vilão disse...

Ginger: O meu problema é o oposto. Sou decidido demais. O que não quer dizer que não tenha dúvidas. Isto reporta-me sempre para esta afirmação do Karl Kraus: "O espírito fraco fica em dúvida antes de tomar uma decisão; o espírito forte, depois". Águas mornas e lume brando não são para mim.

Kel: A escrita serve mesmo para transportar para outros mundos. Por vezes consola, por vezes angustia, por vezes nada, por vezes ambos.

c. disse...

Qualquer encontro será sempre mais fácil se formos empurrados para o inesperado. De forma passiva. Como se isso nos libertasse de qualquer responsabilidade. Como se nos ilibasse de qualquer culpa do que daí possa vir.

**

b.vilão disse...

PauloG, e C.:

"Soltar, soltar a consciência e cumprir o desejo de um sonho sempre reprimido".

PauloG disse...

... de facto a solução é essa...
... é evidente para mim... o problema (o tormento) é saber, descobrir como o fazer...
... mas, e com muitas reticências por vezes, as tentativas vão-se sucedendo...
... nunca desistindo... nunca...